Não perca a cabeça – Parte II

Antes de passar adiante, mostrando os cuidados e procedimentos de manutenção das cabeças de impressão, vamos falar sobre os principais tipos e características desses instrumentos

Em primeiro lugar, antes de expor as especificidades das cabeças de impressão, é fundamental saber o que é impressão a jato de tinta. Segundo a norma ISO 12637-1, de termos fundamentais das artes gráficas, ela é um sistema de impressão que utiliza um jato de microgotas de tinta controlado por dados digitais para projetar áreas de grafismos (imagem) sobre um suporte (substrato, material ou superfície onde a tinta é depositada).

Uma impressora de grande formato usada para comunicação visual, por exemplo, utiliza o sistema de impressão a jato de tinta. Esse tipo de impressora é composto por um conjunto de softwares e hardwares, como as cabeças de impressão, cuja função é ejetar gotas de tintas líquidas. Como vimos na primeira parte dessa série de artigos, as gotas, que são medidas em picolitro (10-12 litro), depois de ejetadas pelas cabeças, aterrissam no substrato, formando assim os pontos que compõem a imagem. Basta olhar de muito perto uma peça impressa em um equipamento a jato de tinta. Ao fazê-lo, é possível reparar nos milhares de pontos minúsculos que compõem a imagem.

Voltando à definição da norma ISO 12637-1, ela ainda diz que a impressão a jato de tinta emprega processos de impressão de fluxo contínuo ou sob demanda, aproveitando técnicas térmicas e piezoelétricas.

Vamos esquecer o processo a jato de tinta de fluxo contínuo, pois ele não é empregado nas impressoras digitais de grandes formatos. O que se aplica a esses equipamentos é o processo a jato de tinta sob demanda (drop-on-demand).

A norma ISO 12637-1 também tem uma definição para o processo a jato de tinta sob demanda: processo de impressão que utiliza dispositivos, controlados por dados digitais, os quais ejetam apenas as gotas necessárias para reproduzir as áreas de grafismos (imagem) sobre um suporte (substrato).

Isto é: no processo sob demanda, todas as gotas de tinta são deliberadamente ejetadas pelas cabeças de impressão para que aterrissem em um determinado local do substrato, formando, assim, a imagem impressa.

É bom frisar que o processo sob demanda pode utilizar cabeças de impressão do tipo térmico ou piezoelétrico.

Uma grande parcela das impressoras de grandes formatos com tinta à base d’água emprega cabeças de impressão de tecnologia térmica. São equipamentos voltados às áreas de reprodução de pôsteres, fine arts e toda a gama de peças gráficas que exigem qualidade de impressão fotográfica.

A tecnologia térmica funciona da seguinte forma: o interior das câmaras da cabeça de impressão é revestido com resistores, os quais são aquecidos após receberem a aplicação de uma corrente elétrica. Esse aquecimento provoca a ebulição da tinta, a qual é empurrada (ejetada) para fora da cabeça de impressão.

Já a tecnologia piezoelétrica é, disparada, a mais empregada nas impressoras de grandes formatos. A maioria esmagadora desses equipamentos – sejam elas sublimáticas, à base d´água, à base de solvente ou de cura UV – empregam a tecnologia piezoelétrica para compor suas máquinas.

Desde 1989, a Epson desenvolve cabeças de impressão sob demanda com tecnologia piezoelétrica. Em materiais técnicos disponibilizados pela empresa em seu site, encontra-se a seguinte definição: impressão a jato de tinta piezo aplica sinais elétricos nas câmaras compostas por cristais piezoelétricos. Tais sinais causam a deformação das paredes da câmara, e isso faz com que a tinta seja ejetada através de pequenos orifícios (nozzles) da cabeça de impressão.

A Epson ainda disponibiliza outra definição sobre material piezoelétrico: um elemento que expande ou contrai microscopicamente quando uma voltagem elétrica é aplicada. Ele é freqüentemente utilizado como um acionador ou sensor em função de suas características únicas.

De modo geral, podemos dizer que a tecnologia de cabeça de impressão piezoelétrica funciona da seguinte maneira: no interior das cabeças há uma série de câmaras microscópica cujas paredes são compostas de material piezoelétrico. A principal característica desse material é que ele se deforma quando entra em contato com uma descarga elétrica.
A tinta, que fica armazenada no interior das câmaras piezo, só é ejetada quando as paredes dessas câmaras recebem uma descarga elétrica.
Quando isso ocorre, as paredes se deformam, empurrando a tinta para fora da cabeça de impressão.

Fonte

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